terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional de Luta da Mulher



No dia internacional de luta das mulheres de um mundo tão diversificado, quero saudar a todas nós, mulheres trabalhadoras.
Trabalhadoras e estudantes.
Trabalhadoras e donas de casa.
Trabalhadoras e mães, avós, tias, madrinhas, irmãs, cunhadas, amigas, agregadas, casadas, solteiras, separadas, divorciadas, concubinas, livres, leves e soltas...
Trabalhadoras e pós graduandas.
Trabalhadoras e chefes de família.
Trabalhadoras e sambistas.
Trabalhadoras e camaradas.
Trabalhadoras e lutadoras.
Trabalhadoras e sonhadoras.
Trabalhadoras e pés no chão.
Trabalhadoras e donas de si.
Trabalhadoras-professoras.
Trabalhadoras e indígenas, amazônidas, quilombolas, urbanas, rurais, pescadoras...
Trabalhadoras e Paraenses, papas-chibé, mulheres "pai dégua"...
Trabalhadoras e Belenenses.
Trabalhadoras e Brasileiras.
A todas nós, MULHERES, um dia para ser lembrado de todos os dias em que nosso amor, suor, lágrimas, sorrisos, força de trabalho e alegria contribuem para que esse país inclua socialmente a quem historicamente esteve excluído. A todas nós, MULHERES, que em nosso cotidiano social, religioso, sexual, ambiental, evolutivo, educacional e de saúde nos tornamos importantes e cada vez mais conquistamos direitos e dignidade, um EXCELENTE DIA, hoje e sempre...
Saudações femininas-feministas!
Abraços!
Ariana da Silva =]


Fotos de Ariana da Silva: Encontro de Mulheres Quilombolas (Acará-Pa); Arrastão do Arraial do Pavulagem (Av. Presidente Vargas); Semana Indígena 2010, Forte do Castelo, Mulheres do Povo Tembé - Pará.

domingo, 6 de março de 2011

Bioantropologia X Antropologia Física: Algumas Diferenças Históricas



A diferença entre a Antropologia Biológica/Bioantropologia e a Antropologia Física está na constituição histórica e metodológica em relação à Antropologia atual. Ainda no século XVIII, o estudo da antropologia esteve baseado em análises morfológicas (antropometria, de medição de corpos humanos) de populações em geral e a característica que predominava no período moldava-se a partir da fisiologia humana, da compreensão compartimentada do Homem (do ser humano), sem a análise do contexto social e do homem inserido em sua cultura. Esse método de abordagem da morfologia humana ficou conhecido como “determinismo biológico”, especialmente em nossa contemporaneidade, com os processos de “eugenia” do século XX, com a conceituação das “raças humanas” que seriam superiores umas às outras, onde a “raça negra” tenderia a sofrer as conseqüências econômicas, sociais, morais, intelectuais e humanas (com a “desumanização dos negros”) em relação à “raça branca”. Particularmente com o avanço do sistema capitalista de produção e períodos de pós-guerra mundiais, os estudos de antropologia física sofreram deturpação substancial sobre os estudos do Homo sapiens sapiens, todavia, o ser humano enquanto um ser biocultural é o “conceito” ou a análise atualmente defendida pela Bioantropologia em sua constituição holística da realidade social humana.
A antropologia biológica compreende o ser humano como uma criatura que, ao mesmo tempo em que passou por períodos de sagas evolutivas há pelo menos sete milhões de anos, esteve em consonância com processos históricos e culturais e que, passando por períodos de adaptação, que começa com o bipedalismo, atravessa a constituição de cérebro grande e complexo, a construção de ferramentas líticas, a descoberta do fogo, a refletância da cor da pele através de migrações partindo de África, a constituição da arte rupestre e, finalmente, a articulação da linguagem humana, até a formação da sociedade complexa de hoje, com novas adaptações climáticas, comportamentais, nutricionais, culturais e evolutivas, processo em constante estado de mudanças e transformações e que tem implicações diversas para a antropologia de maneira ampla.
A Antropologia Biológica ou Bioantropologia é uma ciência que estuda o comportamento humano em seu aspecto geral: estuda os processos evolutivos propriamente ditos, analisando cada período de adaptações ao longo das modificações ambientais do planeta como um todo, particularmente as transformações climáticas e nutricionais, procura compreender a variabilidade das espécies e os estágios de evolução do Homo sapiens sapiens até a constituição de uma anatomia moderna, assim como analisa as relações humanas de saúde e doença, evolução cultural, constituições genéticas, vestígios fósseis e forenses, primatologia, ecologia humana, entre outros.
A implicação da Bioantropologia no contexto mais geral da Antropologia enquanto ciência é a busca da compreensão do homem como um todo, como um ser que faz parte de um sistema complexo que, além de ser social, é biológico, que além de ser anatômico é cultural, que além de ser genético, é humano. A análise da Bioantropologia procura compreender as inúmeras realidades sociais contextualizadas com o ambiente, o meio, a economia, a nutrição de populações (ou dificuldades nutricionais por causa, entre outros fatores, da exclusão social), os processos sócio-ecológicos (da Amazônia e do Brasil), como também procura analisar os aspectos bioculturais do Homem em sociedade, como as relações entre doença e pobreza, entre epidemiologia e mudança comportamental, entre saúde e sociedade, entre endemias e processos culturais (como o HIV, Anemia Falciforme, Pressão Alta, etc.) e os processos de intolerância social com o “Outro”, que é diferente enquanto grupo, porém, igual enquanto ser humano em todos os processos citados anteriormente.
A compreensão da sociedade humana precisa ser realizada a partir de um contexto geral (holístico), que envolve a biologia, a cultura, o comportamento social, hábitos, tradições, ritos, mitos, mudanças físicas e sociais (evoluções), arqueologia, arte, linguagem, gostos, relações de poder, exclusão social, saúde e doença e tantas outras categorias de análise que constituem as áreas de interesse da Antropologia nos quatro campos, por assim dizer.

Texto de Ariana da Silva - Disciplina do Programa de Pós Graduação em Antropologia - PPGA/UFPA: História do Pensamento Antropológico, Dezembro/2010.
Foto feita por Ariana da Silva - Reconstituição facial do fóssil mais antigo das Américas, Luzia, a "primeira brasileira", Museu Nacional do Rio de Janeiro, RJ.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Retrato Molecular do Brasil no Contexto Histórico


Estudo genético com DNA de brasileiros brancos revela que a esmagadora maioria das linhagens paternas da população branca do país veio da Europa, mas que, surpreendentemente, 60% das linhagens maternas são ameríndias ou africanas.
Amostras de DNA da população do Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil foram estudadas com dois marcadores moleculares de linhagens genealógicas: o cromossomo Y para estabelecer linhagens paternas (patrilinhagens) e o DNA mitocondrial para estabelecer linhagens maternas (matrilinhagens).
Comparações com estudos realizados em populações de outros países permitiram estabelecer a origem geográfica da vasta maioria dessas linhagens genealógicas.
Patrilinhagens em brasileiros brancos:
Estudo filogeográfico de brasileiros brancos permite deduzir que a imensa maioria das linhagens de cromossomo Y do país é de origem européia, mais especificamente portuguesa (como revela a semelhança com dados referentes a 93 portugueses, obtidos em colaboração com o geneticista Jorge Rocha, da Universidade do Porto).
Chama atenção a contribuição mínima de cromossomos Y vindos da África sub-saariana (haplogrupo 8, com 2% do total) e ameríndios (haplogrupo 18, nenhum).
Em contraste, os cromossomos Y europeus (haplogrupo 1) estão presentes na grande maioria (57%) dos brasileiros. Tal participação aumenta quando se admite que o haplogrupo 2 (19% da amostra) tem sua principal origem na Europa.
Da comparação das regiões do Brasil: a maior proporção do haplogrupo 2 ocorre no Sul (28%), onde foi importante a imigração de alemães e outros europeus, e a segunda no Nordeste (19%), palco da invasão holandesa.
Mesmo existindo outras contribuições (do Oriente Médio, por exemplo), a Europa é também a origem mais provável do excesso de haplogrupo 2. Assim, no mínimo 66% e no máximo 85% (este talvez mais próximo da verdade) dos cromossomos Y em brancos brasileiros vieram da Europa.
Também é alta a proporção em brasileiros (14%) e portugueses (12%) do haplogrupo 21, encontrado basicamente no norte da África e, em menor proporção, em áreas mediterrâneas. Sua alta freqüência em brasileiros deve-se então aos portugueses, pois não há registros sobre a vinda para o Brasil de números significativos de escravos do norte da África (o que é reforçado pela baixa proporção de linhagens de DNA mitocondrial do norte africano encontrada em nossos estudos).
Matrilinhagens em brasileiros brancos:
A diversidade de DNAs mitocondriais também foi muito grande em brasileiros brancos: 171 haplótipos distintos em 247 indivíduos.
Ao contrário do revelado pelo estudo do cromossomo Y (ampla maioria de haplogrupos europeus), os DNA mitocondriais tiveram, para todo o Brasil, uma distribuição de origens geográficas bem mais uniforme: 33% de linhagens ameríndias, 28% de africanas e 39% de européias.
Entre as linhagens européias, destacam-se os haplogrupos H, T e J, sendo responsáveis respectivamente por 44%, 14% e 10% do total dessas linhagens.
Como os ameríndios vieram da Ásia, o DNA mitocondrial não os diferencia dos asiáticos. Assim, assumimos que todas as linhagens asiáticas obtidas (haplogrupos A, B, C e D) eram ameríndias.
A grande diversidade de haplogrupos africanos é compatível com o fato de que os escravos foram trazidos para o Brasil de muitas áreas (principalmente do oeste africano, mas também de Moçambique, no leste).
O fato de encontrarmos 33% de matrilinhagens autóctones permite-nos calcular que em torno de 45 milhões de brasileiros possuem DNA mitocondrial originário de ameríndios.
Em outras palavras, embora desde 1500 o número de nativos no Brasil tenha se reduzido a 10% do original (de cerca de 3,5 milhões para 325 mil), o número de pessoas com DNA mitocondrial ameríndio aumentou mais de 10 vezes.
Portanto, a imensa maioria das patrilinhagens é européia, enquanto a maioria das matrilinhagens (cerca de 60%) é ameríndia ou africana. Os resultados combinam com o que se sabe sobre o povoamento pós-cabralino do Brasil.
A partir da metade do século 19, o Brasil recebeu enormes levas de novos imigrantes, destacando-se portugueses e italianos, seguidos de espanhóis, alemães, japoneses e sírio-libaneses.
Entre 1872 e 1890, por exemplo, a população de brancos brasileiros aumentou em 12,5 milhões (figura 14). Embora muitos imigrantes tenham vindo com suas famílias (em especial os alemães), havia um excesso significativo de homens em outros grupos.
Como os imigrantes eram em geral pobres, casavam-se com mulheres também pobres, o que no Brasil significava mulheres de pele escura (por causa da correlação entre cor da pele e classe social).
Vários autores, dentre os quais despontam os já mencionados Prado, Freyre, Holanda e Ribeiro enfatizaram a natureza triíbrida da população brasileira, a partir dos ameríndios, europeus e africanos.
Os dados dão respaldo científico a essa noção e acrescentam um importante detalhe: a contribuição européia foi basicamente através de homens e a ameríndia e africana foi principalmente através de mulheres.
A presença de 60% de matrilinhagens ameríndias e africanas em brasileiros
brancos é inesperadamente alta e, por isso, tem grande relevância social.
O Brasil não é uma democracia racial, porém se os brancos brasileiros que têm DNA mitocondrial ameríndio ou africano se conscientizassem disso valorizariam mais a exuberante diversidade genética do nosso povo e, quem sabe, construiriam no século 21uma sociedade mais justa e harmônica.
NÃO EXISTEM RAÇAS!
A razão pela qual ‘raça’ está entre aspas no texto é que, embora o IBGE ainda use o termo, ele é mais uma construção social e cultural do que biológica.
Do ponto de vista genético, não existem raças humanas.
O homem moderno distribuiu-se geograficamente e desenvolveu características físicas, incluindo cor da pele, por adaptação ao ambiente de cada nicho geográfico.
Geneticamente, no entanto, não houve diversificação suficiente entre esses grupos geográficos para caracterizar raças em um sentido biológico, como mostrou recentemente o geneticista americano Alan Templeton.
Como podemos nos referir a certos grupos, como os indígenas brasileiros?
Uma nomenclatura que tem sido crescentemente usada é a de ‘etnias’, que deveriam ser definidas (de modo muito amplo) como grupos populacionais que têm características físicas ou culturais em comum.
Bibliografia resumida:
PENA, Sérgio D. J.; CARVALHO-SILVA, Denise R.; ALVES-SILVA, Juliana, PRADO, Vânia F. Retrato Molecular do Brasil. Ciência Hoje, vol. 27, n. 159.
Imagens: Ariana da Silva (Indígena Asurini e Criança Quilombola - Pará).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

População Afro-Descendente na Amazônia


Historicamente a Amazônia é um ambiente ocupado e caracterizado por um rico legado de contatos humanos que estão dispostos através de culturas diversificadas, sincretismos religiosos, formação de territórios, populações indígenas, rurais, caboclas, negras, ribeirinhas e etc. e, especialmente, por seu ecossistema infinitamente variado, marcado por conflitos e por variados processos de resistência (LOUREIRO, 2001) que configuram o universo sócio-cultural e político-econômico da Região, hoje internacionalizada (BENTES, 2005).
O longo período de colonização iniciado com o trabalho escravo desde meados do século XVI e que perdurou até a Abolição (1888) demarcou profundamente as relações sociais, étnicas, culturais e de identidade brasileiras, sendo que, na Amazônia, no que concerne à população negra, podemos apontar como uma de suas “marcas” de resistência a criação de “acampamento na floresta”, o Quilombo, que “é uma palavra das línguas congo-angolanas (...) e que, no Brasil (...) foi a denominação dada ao refúgio que os escravos fugidos organizavam na mata”. (BENJAMIN, 2006, p. 126). Hoje, os “acampamentos” do início do período de exploração econômica da Amazônia, são conhecidos como “terra-de-preto”, “quilombos” ou “mocambos” e que são os “segmentos da população brasileira marcados pela resistência, organização, vivência comunitária, isolamento e conservação de suas tradições” (idem, p. 136).
Provavelmente os primeiros quilombos da Região Amazônica foram constituídos no Estado do Maranhão, localizados mais precisamente no sertão de Turiaçu em 1701. No Pará a formação dos mocambos iniciou-se em 1788: um no igarapé do Una, nas proximidades de Belém, próximo a Benfica e outro, considerado o mais importante, na Ilha do Marajó (missões religiosas), em Cachoeira. Desde a época de formação dos primeiros quilombos até o presente momento, muitas comunidades foram extintas. Entre as que resistiram, algumas sofreram o processo de miscigenação e outras permaneceram em relativo grau de isolamento, preservando, em parte, suas identidades biológica e cultural, atualmente denominados de afro-brasileiros ou afro-descendentes (VERGOLINO-HENRY & FIGUEIREDO, 1990).
Os aspectos ambientais e a organização social da Amazônia precisam ser compreendidos e respeitados pelo Estado, pela Sociedade Civil, pelas ONG’s e interpretados pela Academia, fortalecendo a percepção da necessidade de “proteção de saberes” das populações e da cultura diversificada da Floresta Amazônica, que são medidas urgentes de perpetuação das espécies: fauna, flora e da natureza humana de um modo geral. Através do estranhamento: percepção, apreensão e compreensão da sustentabilidade vivenciada pelos povos tradicionais da Região Amazônica, fatores intrínsecos à sobrevivência não apenas da biodiversidade, como também da cultura milenar de populações que chegaram muito antes de nós em solo nacional, como os indígenas, que merecem plenos direitos e reconhecimentos sobre a floresta, sobre o lugar – no sentido de pertencimento –, e devemos estabelecer medidas de alargamento social sobre as memórias que demarcam a sua identidade e etnicidade características.
Existe um processo de complexidade que envolve as populações amazônicas, que possuem organização social, cultura e idéias peculiares sobre o meio ambiente. As práticas sociais cotidianas das comunidades quilombolas, que, entre outros aspectos, são formas de resistência social em busca da consolidação de sua identidade étnica e de ações públicas para o fortalecimento de suas lutas por demarcação de terras, espaço para a produtividade, saúde de seus moradores, garantias sociais como escola, água potável, escoamento da produção agrícola, incentivos fiscais e demais necessidades sócio-econômicas que garantam a sobrevivência das famílias em questão, são algumas nuances que contribuem para a consolidação de seus meios de resistir social e politicamente contra as formas de segregação e opressão a que foram historicamente submetidos.
Nesse sentido, as diversas categorias que interpretem a sociedade, seus caminhos de sustentabilidade, seus mitos (DIEGUES, 1994) e o processo constante de desenvolvimento econômico na alarmada mundialização do capital (MELLO, 2001), que através da ideologia (CHAUÍ, 1984), reproduz – ou não – os costumes culturais, tradições e saberes sociais das populações negras tradicionais devem ser caminhos que poderemos percorrer a fim de contextualizar os aspectos gerais dos Amazônidas.
A partir desse território de complexidade (MORIN, 1999), a utilização das categorias de viés antropológico de olhar, ouvir e escrever (OLIVEIRA, R. 2000, p. 17-35) para compreensão do cotidiano sócio-cultural dos sujeitos sociais classificados como remanescentes de quilombos, delimitam a regulação e identificam os grupos de pertença, tornando-se, assim, factual estabelecer, através dos aspectos etnográficos (MAUSS, 1979; 1993; PEIRANO, 2005) da população afro-descendente, um processo de reconhecimento de valores, situações históricas, práticas culturais, visões de mundo contextualizadas e outros aspectos de pertencimento que compõem o lugar de convivência entre o homem, a natureza e sua cultura local.


Fotos e Texto: Ariana da Silva(*)
"Crianças" e "Grafite" da Comunidade Quilombola de Itacuã-Mirim, Pará.

Bibliografia:
BENTES, Rosineide. A intervenção do ambientalismo internacional na Amazônia. Estudos Avançados, 19 [54]: 2005.
BENJAMIN, Roberto. A África está em nós. João Pessoa, PB. Grafiset, 2006.
CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Coleção Primeiros Passos).
DIEGUES, A. C. S. Os mitos bio-antropomórficos, os neo-mitos e o mundo atual. In: O mito moderno da natureza intocada. São Paulo: NUPAUB/USP, 1994.
LOUREIRO, Violeta Refkalefsky. Estado, bandidos e heróis: utopia e luta na Amazônia. Belém. Cejup, 2ª Ed. 2001.
MAUSS, Marcel. Manual de etnografia. Lisboa: Dom Quixote, 1993.
______. Antropologia: o ofício do etnógrafo, método sociológico (1902). São Paulo: Ática, 1979.
MORIN, Edgar. O pensar complexo: Edgar Morin e a crise da modernidade. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.
OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo. São Paulo: Paralelo; UNESP, 2000.
VERGOLINO-HENRY & FIGUEIREDO. Presença africana na Amazônia. Museu Emília Goeldi, 1990.

(*)Bacharel e Licenciada Plena em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Especialista em Sociologia e Educação Ambiental pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), Docente da Rede Pública de Ensino do Estado do Pará, Docente Credenciada da Escola Técnica do SUS – ETSUS/Regional Pará, Aperfeiçoada em Gênero e Diversidade na Escola (UFPA) e Mestranda em Bioantropologia pelo Programa de Pós Graduação em Antropologia – PPGA – 2010 (UFPA).

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Homem de Neandertal - "Enigmas e Curiosidades"


O Homem de Neandertal:
Ocupou a Europa e parte da Ásia há 150.000 anos vivendo até cerca de 30.000 anos (período de sua extinção);
Provavelmente conviveu em paralelo com os seres humanos anatomicamente modernos durante todo o Paleolítico Médio Europeu;
Os fósseis encontrados na gruta de Feldhofer, no Vale de Neander, Alemanha, com características singulares (morfologia) despertou dificuldades quanto à sua classificação: somos parentes ou não?
O nome Neandertal está relacionado à palavra alemã “Thal” que significa “Vale” e “Neander”, nome do vale Alemão.
O aspecto robusto: interpretações animalescas de comportamento, rendeu a idéia de “Homem das Cavernas”;
O espécie compartilha ou não ancestralidade com a espécie humana de hoje, com possível hibridismo (misturas genéticas) do Neandertal com o Homo sapiens arcaico (Cro-Magnon)?
Modo de vida:
Os Neandertais viviam em grutas e cabanas (construídas com ossos de mamute e pele de animais);
Alimentavam-se de carne de renas, mamutes, veados e ursos das cavernas.
Eram caçadores e coletores e provavelmente nômades.
Foram os primeiros a enterrar os mortos, contradizendo as especulações de espécie “rude”; os membros do grupo eram enterrados em posição fetal, evidência de simbologia com possível significação espiritual de vida e morte.
Fabricação de Ferramentas:
A Indústria Mousteriense foi a que caracterizou a produção de artefatos do Homem de Neandertal no Paleolítico Médio;
Os artefatos eram raspadeiras, denticulados, bifaces elaborados, pontas, facas de dorso, raspadores e furadores, a maioria com lascamento do Método Levallois: a obtenção de lascas predeterminadas com adequada preparação do núcleo;
A técnica Chatelperronense deu lugar à Mousteriense (transição).
Anatomia:
O frio europeu determinou a adaptação do tipo físico do Neandertal:
Estatura baixa, pernas curtas e arqueadas, bípede, crânio baixo, achatado e protuberante (atrás), rosto largo e projetado para frente, dentes grandes, sem queixo, arcada supraciliar desenvolvida, seios nasais alargados e destro, com ampla desenvoltura manual;
O crânio variava entre 1300 e 1600 cm³, a altura entre 1,69 e 1,60 m e peso de 65 e 50 kg para homens e mulheres, respectivamente.
Genética:
A diferença genética entre o Homem de Neandertal e o Homem Moderno é muito ampla.
A evidência foi realizada a partir de estudos de DNA Mitocondrial que indicam que o homem do Vale de Neander não pertence à linhagem humana.
(?)
Extinção:
O desaparecimento do Homem de Neandertal é um enigma. As Hipóteses mais defendidas são:
O confronto com o homem moderno que veio da África há 40.000 anos;
O Hibridismo, com a absorção dos Neandertais entre os descendentes do Homem Moderno (Menino do Lapedo, Portugal, exemplo da possível descendência através de mistura genética);
Simples extinção por seleção natural com o sucesso reprodutivo do Cro-Magnon.

Bibliografia:
CARVALHO, José. “O Homem de Neandertal: Enigmas e Curiosidades”. Centro Português de Geo-História e Pré-História. Edições Colibri. Montijo. pp.49-56.2004.
LEWIN, Roger. “O Enigma dos Neandertais”. In Evolução Humana. Atheneu, São Paulo, 1999, p. 365-884.
Imagens: Google.

Resumo: Ariana da Silva

sábado, 15 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo!!!! =]



Foto: Ariana da Silva - Um dia de Mormaço...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Belém em dia de domingo...






Fotos: "Mormaço", Ariana da Silva